quarta-feira, 9 de agosto de 2017

As malas á porta de casa

Discutimos de novo.
Antes de fechar a porta agarrei o meu telemóvel, as chaves e levei comigo a coragem de nunca mais entrar por aquela porta.
Apenas levei as chaves caso decidisse voltar.
Cada frase inacabada rasgava-me as entranhas e fazia ter o desejo de apagar tudo da minha mente, ouvir o som da tua voz furava-me os tímpanos e tudo o que eu queria era deixar de ouvi-la.
Eu não estava feliz, eu estava a deixar a infelicidade engolir-me até deixar de ter os brilhos dos meus olhos, a única coisa que restava em mim.
Lá estava eu sozinha como todas a ouvir The National, música melancólica que faziam lembrar um pouco da minha infância e rimavam com tudo o que sentia naquele instante.
Nesse instante, o sabor do café quente com três colheres de açúcar parecia ser mais amargo do que o normal.
Pensava na hipótese de esse sabor amargo caso beijasses a minha boca e fizesses o dia amanhecer e acordar junto do teu corpo e aceitar que não irás realizar as minhas expectativas.
Sempre estiveste habituado a tomar vários shots de orgulho por pensares que serias mais forte dessa forma.
Eu pensava que encaixava dentro das prioridades da tua vida, mas eu simplesmente era uma mancha no retrato perfeito.
Continuo fora de casa carregando as minhas lágrimas e a minha vontade de fazer silêncio.
Num dia de sol passou a chover talvez porque o meu sentimento foi capaz de alterar a meteorologia e mexer com todos os sinais cosmícos entre nós. 
Corri para casa o mais rápido que podia, o meu cabelo estava molhado, corri tanto para ter-te de volta.
Entrei em casa chamei por ti, mas invés de ouvir a tua voz para além dos salpicos de chuva naquela janela que decoramos a pouco tempo com plantas e alguns quadros, encontrei um bilhete e as minhas malas todas feitas.
Naquele dia, eu soube que o meu lugar não era mais ali e tomara que tivesse descoberto isso antes...



Imagem retirada do Tumblr

4 comentários:

  1. :( Força porque o tempo cura tudo (soa a cliché mas é verdade).

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    1. Obrigada, é só um texto, eu estou bem, mas obrigada pela preocupação. :)

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  2. ADOREI!! Eu identifico me com o teu texto de um certo modo, o que me aconteceu foi um pouco diferente mas semelhante em muitas coisas... Devias escrever um livro :)

    theblossomsgirl.blogspot.pt

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